Artigo
OBESIDADE INFANTIL

Dra. Esther Laudanna
Médica Pediatra
Consultora da Fugesp

O desenvolvimento da criança dá-se em três vertentes : BIOLÓGICA, PSICOLÓGICA e SOCIAL

Alterações no desenvolvimento de uma delas fatalmente acometerá as outras. As múltiplas habilidades da criança já foram comparadas a bananas verdes no cacho: vão amadurecendo mais ou menos no mesmo tempo mas não juntas .

Perceber e relacionar-se com o bebê através de poucas facetas é dificultar o crescimento dele como um TODO.

Obter alimento é sem dúvida uma preocupação básica de todo organismo vivo em crescimento. O "filhotinho" do homem, quando nasce, é o mais indefeso dos mamíferos; sua única defesa em prol de suas necessidades é o choro. E que choro! Estridente, ininterrupto, capaz de sensibilizar e afligir ao mais duro dos corações, e é aí que reside o perigo... De todos os incômodos que podem atingir o bebê, a fome é o pior, o mais urgente, mas, e a fralda molhada? O arroto? O frio? O calor? A roupa apertada que impede o movimento? O barulho? A cólica? A mãe ansiosa oferece o leite para todos os choros.

No presente artigo, vou abordar de forma resumida o desenvolvimento de crianças entre 1 ano e 13 anos de idade. Para facilitar ainda mais a descrição da criança obesa, dividi este período em quatro sub grupos:1 a 3 anos, 4 a 6 anos, 7 a 10 anos e 11 a 13 anos

1 a 3 ANOS

ASPECTO BIO MÉDICO
O bebê obeso, assim caracterizado pelo pediatra, pois não é um diagnóstico para curiosos, é caracterizada pela espessura da prega cutânea e pelo aumento de peso desproporcional ao crescimento, comprovado pelas curvas de desenvolvimento pondo-estatural.
As crianças geneticamente propensas à obesidade, mobilizam mal as reservas energéticas, sofrem mais do que as outras o desconforto do jejum, dizemos que têm baixa tolerância ao jejum- COMEM A INTERVALOS CURTOS O bebê superalimentado cresce numa proporção maior que os sabidamente nutridos, aumentando sua camada muscular e gordurosa em proporções exuberantes. A família está feliz e o pediatra preocupado.
O excesso de peso interfere (para pior) no controle de doenças respiratórias de fundo alérgico (asma), doenças da pele (dermatites) e focos irritativos cerebrais (epilepsia).

ASPECTO PSICOLÓGICO
A relação mãe-filho está empobrecida. Todas as trocas afetivas ocorrem através da comida. A família, a mãe e o bebê introjetam a imagem: "barriga cheia = felicidade da mamãe + felicidade do bebê"

ASPECTO SOCIAL
Socialmente o bebê gordo é um sucesso!

4 a 6 ANOS

ASPECTO BIO MÉDICO
Acentua-se a fome. Está sempre comendo, petiscando. Ainda mais agora que ele anda, abre armários, latas de bolacha, bombonières, geladeira. Continua crescendo e engordando mais que outras crianças de sua idade.
Tem início as queixas de dores nas pernas, joelhos, acentua-se o joelho valgo ( joelho em X ) e, nota-se em alguns "gordinhos", o início de escolioses e lordoses ( desvios na coluna).

ASPECTO PSICOLÓGICO
A socialização tropeça na pouca disposição para as correrias. A opção pela TV e jogos eletrônicos, pela imobilidade, vai delineando-se com nitidez.

ASPECTO SOCIAL
Continua sendo um sucesso, é "bonzinho", "bem educado", "come tudo". Prefere a companhia dos adultos à das outras crianças.

7 a 10 ANOS

ASPECTO BIO MÉDICO
A criança que já está gorda e grande, no estirão fisiológico do crescimento dos 7 anos apresenta novo aumento rápido de estatura, massa muscular e gordura. Tem dificuldade para andar de bicicleta, jogar futebol, subir escadas e patinar.
Os exercícios físicos são fundamentais para desenvolver a coordenação motora, modular o metabolismo basal e desenvolver o prazer por uma vida mais sadia

ASPECTO PSICOLÓGICO
De regra é bom aluno. No grupo de crianças, apresenta-se como tímido, raramente se manifesta como líder. Mantém o padrão de criança "obediente", "não dá trabalho", fica horas em frente à TV e alguns já dominam o computador.

ASPECTO SOCIAL
A família preocupa-se com o tamanho da genitália externa. É problemático comprar roupa pronta. Inicia-se a preocupação familiar com o excesso de peso da criança, porém, sempre optam por esperar que a criança cresça e fique "um pouco vaidosa".

11 a 13 ANOS

ASPECTO BIO MÉDICO
Tornam-se evidentes as estrias abdominais e na parte interna da coxa, que apresenta também a pele escurecida pela dermatite de atrito. Torna-se evidente também, a ginecomastia nos meninos. O abdome em avental nos meninos e meninas é motivo de chacota pelas outras crianças. Descompensações freqüentes da coluna passam a ocorrer naqueles que são portadores de escoliose.
A puberdade precoce para meninos e meninas resulta num crescimento final menor que o sugerido na primeira infância. Os genitais externos aparentemente pequenos nos meninos, passam a ser um problema para a criança.

ASPECTO PSICOLÓGICO
Este é um período onde se formam a auto-imagem e a auto-estima, que ficam prejudicadas pela silhueta extra grande e comentários desabonadores dos coleguinhas . A criança obesa passa a recusar a freqüentar piscinas, praia, e alguns até a usar short. Na escola estabelecem boa camaradagem com os colegas apesar do acentuado sedentarismo.

ASPECTO SOCIAL
A preocupação da família com a obesidade apresenta-se de forma franca, sem desculpas. Esta mudança é vivenciada pelo pré-adolescente como perda do amor, principalmente se ele tiver um irmão magro. Os pré-adolescentes tendem a estabelecer vínculos fortes com um amigo; poucos fazem parte de um grupo.

CONCLUSÕES

  • Obesidade Infantil não é um problema de saúde auto-regulável.
  • É preciso a intervenção médica e nutricional.
  • Estudos americanos sobre a avaliação da ocorrência de obesidade na infância, em países industrializados, sugerem que um terço (30%) das crianças apresentam excesso de peso.
  • Igual à população adulta, a incidência de obesidade na infância e adolescência está aumentando.
  • 80% dos adolescentes obesos serão adultos obesos
  • A prevenção e o controle da OBESIDADE INFANTIL deve ser preocupação de toda a sociedade.

Informações simples sobre a escolha correta dos nutrientes e seus valores calóricos (de forma genérica), deveriam fazer parte do ensino básico. Ensinar a comer verduras, frutas, a beber água, andar e praticar um esporte é obrigação de todos os que estão envolvidos com a saúde e o bom desenvolvimento da criança.

 

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