CUIDADO: VEM CHEGANDO A ESTAÇÃO DAS DIETAS

Dra. Jocelem Mastrodi Salgado
Profª. Titular de Nutrição – LAN/ESALQ/USP

Apesar dos dias ensolarados, muita gente só vai se preocupar com o corpo quando o verão se aproximar. São pessoas que, na última hora, vão se submeter a regimes de fome, tentando perder em algumas semanas os quilos de um ano inteiro. São práticas que não fazem bem nem para o corpo nem para o espírito. Como especialista em nutrição, quero alertar para os perigos dessas soluções que só trazem frustrações e perigos. Os regimes de fome e os regimes da moda não fazem perder peso. O que faz perder peso é uma reeducação alimentar apoiada por complementos alimentares devidamente pesquisados. As necessidades e as características de cada um precisam ser respeitadas. Do contrário, não haverá emagrecimento, só haverá frustração.

Faz sol quente lá fora, a primavera só está no seu começo e o verão do calendário ainda parece distante. Apesar do calor dessa estação atípica, muita gente só começa a pensar no verão quando novembro chegar.

Na verdade, pensar no verão, para muitos de nós, significa pensar no nosso corpo. Passamos parte do ano meio na preguiça, sem fazer conta dos quilos, até que um "solzinho" mais quente, uma roupinha mais leve, nos faz pensar que temos formas para zelar.

É claro que quem vive debaixo do sol do Nordeste, ou mesmo nas calçadas do Rio, não corre o risco de se esquecer que tem um corpo. Mas quem se perde nas correrias paulistanas ou na falta de praia das cidades do interior, corre sim o perigo de se descuidar do corpo.

Todo esse preâmbulo é para dizer que temos de começar agora a cuidar das formas que queremos ter e queremos exibir no verão. Ou melhor, não deveríamos deixar de cuidar desse corpo em nenhum momento do ano inteiro. E não apenas em nome das suas formas e do seu bronzeado, mas especialmente pela saúde que o corpo revela.

Hoje vamos aproveitar para falar do bem-estar do nosso organismo. Daqui a um ou dois meses vai começar o “grande negócio” dos regimes e dietas de emergência, fórmulas oferecidas para tentar calar nossos sentimentos de culpa e tentar nos redimir dos maus hábitos que cultivamos o ano inteiro.

Temos de fugir da tentação desses diabos que procuram nos enganar vestidos de anjos emagrecedores. É muito provável que muitos de nós não cumprimos as promessas de reduzir as massas e as carnes gordas, de cortar os sorvetes, diminuir as garrafas de cerveja. Mas nem por isso vamos ter agora que pagar com um regime de crueldade, onde seremos tratados a folhas de alface e queijo branco desnatado, associados a comprimidos que nos tiram o apetite e nos deixam com os nervos à flor da pele.

Temos de fugir das dietas de última hora, que prometem tudo e não resolvem nada. Uma das formas de escapar dessa tirania é começar a cuidar de nós muito antes, de preferência cuidar o ano inteiro.

Multiplicando os perigos

É preciso começar separando os objetivos e as condições. Tem um universo de pessoas que quer apenas perder uns quilos para entrar no mesmo biquíni (ou no mesmo calção) que vestiu no ano passado. E tem outro universo de pessoas cujo sobrepeso ou obesidade não apenas incomoda na hora de vestir uma roupa, mas também, sobretudo, já está trazendo ou pode trazer problemas de saúde. O peso elevado aumenta a pressão arterial, mantém as gorduras do sangue aumentadas, eleva o risco do diabetes. Somados, esses fatores multiplicam o perigo das doenças cardiovasculares. Além de incomodar os movimentos, deixar os passos mais lentos e roubar muito da elegância que cada um de nós cultiva.

Dietas da Moda

Diagnosticado o problema, a solução é enfrentá-lo. Se você se sente gordo, ou se classifica acima do peso, a primeira atitude é reconhecer o fato. A segunda é pensar na melhor solução para você. Há uma infinidade de receitas e dezenas de sites na internet tentando ensinar você a perder peso. A questão é que nenhum deles, ou a grande maioria deles, respeita as suas necessidades e dificuldades, nem considera os seus limites.

Há os grandes obesos, chamados impropriamente de obesos mórbidos, que necessitam de uma cirurgia ou de um artifício que reduza o tamanho do estômago, de forma que sua vontade de comer seja limitada pelo tamanho da cavidade desse estômago. Encheu esse espaço, passou a vontade.

Felizmente, a grande maioria dos que se debatem com o excesso de peso está abaixo dessa faixa, e necessita apenas reaprender a comer. Mas é justamente nessa faixa de pessoas, onde estão muitos dos nossos amigos e, muitas vezes, nós mesmos, que a propaganda enganosa mais atua. À medida que vai chegando o verão, o número dessas poções mágicas vai aumentando. Há as dietas milagrosas, as dietas radicais, há aquelas que permitem tudo, as que proíbem tudo e aquelas que sobrevivem apenas àquele verão.

Essas são as chamadas dietas de estação, que aparecem num ano e desaparecem no outro. Eu e minha equipe acompanhamos os regimes que aparecem ou apareceram na mídia e constatamos que a sobrevida da maioria deles não passa de cinco anos. Chegam, anunciam seus milagres, arrebanham seguidores, depois desaparecem. Nestes últimos dias, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), proibiu a venda de dezenas de produtos que estavam no mercado anunciando o milagre do emagrecimento.

O fato é que medidas radicais para emagrecer rapidamente podem até levar a uma perda de peso nos primeiros dias, mas na maioria dos casos esse emagrecimento é temporário, pois foi resultado de uma alteração brusca na composição alimentar que causa perda de água do corpo e não gordura. Tão logo a alimentação normal seja retomada, esse líquido perdido retorna, trazendo o peso de volta. Além disso, um dos grandes fracassos dessas dietas está na falta de saciedade e boa nutrição, o que faz com que as pessoas passem fome e saiam muitas vezes desses regimes extremamente debilitadas, anêmicas ou com outra doença provocada por deficiência nutricional. Outro problema, é que a grande maioria passa muito longe do tão importante processo de reeducação alimentar, que garantirá a manutenção futura do peso adequado.

Buscando uma fórmula

É consenso entre os especialistas que uma dieta saudável que estimule a perda constante de peso deve prover todos os nutrientes de que o corpo necessita. A dieta deve basear-se em alimentos nutritivos, porém de baixas calorias, deve ter capacidade de proporcionar saciedade e deve estar aliada a um programa de reeducação alimentar.

Sou professora titular de nutrição na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), e, há 20 anos, venho me dedicando ao estudo dos alimentos e seus efeitos sobre nossa saúde. Embora o Brasil de duas décadas atrás apareça mais como o país dos desnutridos, a obesidade já era uma preocupação. Eu estive entre os primeiros pesquisadores a chamar a atenção para os danos do excesso de peso, que traziam riscos tão graves quanto a desnutrição.

Por conta dessa preocupação, eu e minha equipe dedicamos anos pesquisando uma fórmula que permitisse um emagrecimento saudável, sem agressão ao organismo e sem o sofrimento imposto pela maioria das dietas da moda.

A primeira constatação foi que a perda de peso exigia uma mudança de hábitos. Era preciso que o obeso compreendesse que sua participação nesse processo era fundamental. Ele precisava entender e aceitar que fazer exercícios era uma forma de ajudar a perder peso ao mesmo tempo em que reduzia sua ansiedade e aumentava sua disposição para continuar com o programa proposto.

Mas era preciso também que sua alimentação fosse a mais equilibrada, de forma que se sentisse saciado e seu organismo alimentado, com a menor quantidade de calorias possível. Era preciso desenvolver um alimento que oferecesse todas essas coisas, e foi isso que fizemos.

Depois de anos de pesquisa, reunimos num único complemento alimentar, cereais, leguminosas e oleaginosas como a aveia, a soja, gérmen de trigo, gergelim e castanha de caju. Todos são ricos em carboidratos complexos, fibras insolúveis e solúveis, proteínas, vitaminas, minerais, além de gorduras mono e poliinsaturadas. Desde então, o alimento, inserido num plano alimentar de baixa caloria, tem ajudado milhares de pessoas a perderem peso com saúde, e o que é mais importante, conservar este peso para o resto da vida.

Nossa proposta para a perda de peso não é uma fórmula mágica que vem embalada em kits emagrecedores. O princípio do complemento alimentar elaborado é a reeducação alimentar, e esse é o programa que estamos desenvolvendo nos últimos quinze anos. Diante da nossa prática de laboratório, e do longo contato com as pessoas que querem emagrecer e que usaram esse complemento, nossa conclusão é a seguinte: a melhor forma para se perder peso não são regimes de fome e de sofrimento, mas a adoção de um programa de reeducação alimentar. Se possível, auxiliado por um suplemento alimentar que complemente os pratos do dia-a-dia.

Concluímos dizendo que o emagrecimento com bom senso, respeitando o ritmo corporal, resulta em perda de gordura, com conseqüente redução da celulite, melhora dos contornos corporais e promoção da saúde. É importante emagrecer e principalmente manter o peso e isso somente se torna possível com exercícios físicos e com a reeducação alimentar, ou seja, se aprendermos o que, como e quanto comer.

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Para quem quer obter dicas e sugestões sobre uma alimentação adequada para perda e manutenção do peso, bem como informações sobre alimentos desenvolvidos pela nossa equipe da Esalq/USP, clique aqui

* Profª. Titular de Nutrição da Esalq/USP/Campus Piracicaba. Autora de diversos livros, entre eles: "Alimentos Inteligentes", “Previna Doenças. Faça do Alimento o seu Medicamento” e “Pharmácia de Alimentos. Recomendações para Prevenir e Controlar Doenças”. (www.jocelemsalgado.com.br)