Soja e Menopausa

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Resumo do Estudo

Esther Laudanna1; Angela Maggio da Fonseca2; Claudia Pinto M. de Oliveira3; Vicente Renato Bagnoli2; Hans Wolfgan Halbe2; Paulo Augusto de Almeida Junqueira4; Wany Lana Machado Vieira4; José Aristodemo Pinotti5

OBJETIVO: Avaliar comparativamente em estudo prospectivo a ação de um alimento à base de isolado protéico de soja rico em isoflavona (Previna), com dose conhecida, em relação à terapia de reposição hormonal (T.R.H.).

MÉTODOS: Foram avaliadas clinicamente 78 mulheres de um grupo de 98, com diagnóstico de menopausa e sintomáticas, em estudo aberto, randomizado, divididas em 2 grupos. O grupo A foi constituído por 50 mulheres com média etária de 54,65±7,24 anos; com tempo de início da menopausa de 5,76±5,06 anos; Índice de Massa Corpórea de Quetelet (IMC) 28,64±4,5 kg/m² e Índice Menopausal de Kuppermann de 22,83±9,62. O grupo B foi constituído por 48 mulheres com média etária de 52,02±3,93 anos; tempo de início da menopausa de 4,07±3,41 anos; Índice de Massa Corpórea de Quetelet (IMC) 27,55±4,03 kg/m² e Índice Menopausal de Kupperman de 19,94±8,97. O grupo A recebeu durante 4 meses, 60g de um alimento à base de isolado protéico de soja (Previna), divididos em duas doses de 30g/dia, contendo 45mg de isoflavonas, 17g de proteínas de soja e 360mg de cálcio/dose. No mesmo período, administrou-se ao grupo B reposição hormonal em pílulas de uso oral com estradiol 2mg + acetato de noretisterona 1mg, uma vez ao dia. Todas as pacientes foram avaliadas clinicamente no início e ao final dos 4 meses em relação a Pressão Arterial (PA), Índice de Massa Corporal de Quetelet (IMC), Sintomatologia Menopausal de Kuppermann (I.K.) e Sintomatologia adversa referida pela paciente.

RESULTADOS: No grupo A, o I.K. médio inicial que era de 22,83 ± 9,62 diminuiu para 6,73 ± 5,58, não diferindo do I.K. final do grupo B que foi de 5,41 ± 6,28 (p = 0,001). Não ocorreram também diferenças entre os dois grupos para o IMC e PA. No grupo A o IMC médio final foi de 28,62 ± 4,42 kg/m², enquanto que no grupo B foi de 27,35 ± 3,90 kg/m² (p < 0,05). Quanto à pressão sangüínea, o grupo A apresentou uma PA média inicial de 128,76 ± 23,7 / 81,21 ± 14,6 mmHg e final de 127,81 ± 16,59 / 81,07 ±13,45 mmHg; no grupo B a PA média inicial foi de 134,6 ± 21,02 / 81,42 ± 11,72mmHg e a PA média final foi de 130,83 ± 15,88 / 80,30 ± 9,73 mmHg (p < 0,05). No grupo A, 8 pacientes abandonaram o tratamento (16%), enquanto que no grupo B, foram 13 pacientes (26,53%), ou seja, uma diferença de cerca de 38% de menor adesão do grupo B em relação ao grupo A. No grupo A, 3 mulheres sentiram flatulência, 1 teve alergia à soja e 1 apresentou aumento de ácido úrico, intercorrências que pré existiam ao tratamento. No grupo B, 6 mulheres tiveram o retorno da menstruação, 2 apresentaram tromboflebite e 4 tiveram mastodínea.

CONCLUSÕES: O presente trabalho demonstra que o alimento Previna é eficiente no tratamento dos sintomas da menopausa, na mesma magnitude que o hormônio sintético utilizado para comparação. Reações adversas observadas no tratamento com TRH, tais como mastodínea, tromboflebite, entre outras, foram inexistentes no grupo utilizando o alimento. Neste grupo, nenhum efeito colateral foi observado.

1 - Médica colaboradora nos grupos de Nutrologia e Ginecologia Endócrina e Climatério, respectivamente das Disciplinas de Gastroenterologia e Ginecologia da FMUSP;
2 - Professor associada e livre docente do Deptº. de Obstetrícia e Ginecologia da FMUSP;
3 - Médica-chefe doutora do Grupo de Nutrologia da Disciplina de Gastroenterologia da FMUSP;
4 - Médico doutor do Deptº. de Obstetrícia e Ginecologia da FMUSP;
5 - Médico doutor e Professor Titular do Deptº. de Obstetrícia e Ginecologia da FMUSP;

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